Associação de Professores de Filosofia
Associação de Professores de Filosofia

 

O QUE NOS CONVÉM: PRAZER OU DEVER?


PLANO DE AULA
e documentos de apoio
>>>

[pode consultar, aplicar e continuar a enviar-nos os textos dos seus alunos]

 




[Centro de Estudos de FátimaDidáxis, Cooperativa de EnsinoEscola Secundária Abel SalazarEscola Secundária Alexandre HerculanoEscola Secundária de Almeida GarrettEscola Secundária EB3 Dr. Jorge Correia, Tavira Escola Secundária Júlio DantasEscola Secundária de Pinhel]


CENTRO DE ESTUDOS DE FÁTIMA
Fátima

A AÇÃO HUMANA: PRAZER OU DEVER?
Ao observar um indivíduo que sofre um ataque cardíaco, se desequilibra e cai na linha de comboio, Wesley, que estava acompanhado pelas filhas pequenas, salva-o atirando-se para o meio dos trilhos e cobrindo o corpo do individuo com o seu, enquanto o comboio passa. No final, ambos ficam salvos sem consequências de maior gravidade.
Perante este acontecimento, várias questões se colocam: o que terá levado aquele indivíduo a agir? A pôr a sua vida em risco por um desconhecido? Qual a sua intenção? Será esta acção regida pelo prazer de se tornar um herói, como efectivamente aconteceu, ou pelo dever de salvar uma pessoa em perigo, bem como pelo seu dever enquanto pai e cidadão?
Após o sucedido, Wesley em entrevistas afirmou que apenas arriscou a sua vida na tentativa de poupar as suas duas filhas de assistirem a um terrível acidente que provavelmente as marcaria para o resto das suas vidas.
De acordo com Stuart Mill qualquer acção pressupõe prazer, a busca da felicidade e a ausência de dor, não só a nível pessoal, mas também dos que nos rodeiam. Visto que a sua acção foi, como disse, efectuada de modo a promover o prazer/ausência de dor nas suas filhas, podemos concluir que Wesley agiu de acordo com o princípio de Stuart Mill. Mas afinal, não será esse o seu dever como pai? Evitar o sofrimento das filhas e procurar o seu bem estar? No entanto, Wesley poderia simplesmente afastar-se com as suas filhas. Desta forma elas não assistiriam à tragédia, logo não haveria o aparecimento de dor. Por outro lado, podemos considerar que a acção de Wesley ao saltar para a linha de comboio, terá causado dor às suas filhas por verem um comboio em andamento a passar e estacionar durante 20 minutos sobre o corpo do seu pai.
Ao adoptar tal comportamento, Wesley para salvar o indivíduo de imediato provoca dor às suas filhas e a si mesmo (pois, atira-se para a linha de comboio, sem pensar nas várias consequências físicas a que está sujeito); no entanto, pensa num bem maior e mais distante que é evitar o trauma das crianças evitando que aquele individuo seja atropelado pelo comboio.
Então, paralelamente, a acção foi desencadeada quer pela necessidade de evitar o sofrimento (das filhas) quer pela consciência e valores morais de Wesley, que segundo Kant devem reger a vida do indivíduo quer enquanto cidadão (ao salvar o rapaz), quer enquanto pai (protegendo as suas filhas).
Porém, será que se Wesley não salvasse o individuo deixaria de ser um bom pai ou um bom cidadão?
Tendo em conta que um bom cidadão é aquele que não causa distúrbios na sociedade, que participa quando sente que é necessário ou quando é solicitado, se Wesley não tivesse salvado o individuo em questão, tornar-se-ia um mau cidadão? E todos os outros que observaram a acção, sem ajudarem, por medo de arriscar a vida, serão considerados maus cidadãos também?
Naquele dia, não era pressuposto ninguém tornar-se um herói, seria apenas um dia normal… mas um estranho cai na linha de comboio e um outro decide tentar salvar a sua vida, colocando em risco a própria…
A acção pode ser movida pelo prazer de ser um herói e procura do bem estar e da felicidade, mas é a consciência e valores morais, o sentimento do dever que levam o indivíduo a agir. Não será já o sentimento de agir segundo a consciência do dever (de pai, de cidadão ou apenas de homem) uma forma de obter prazer e felicidade?

Beatriz Lucas, Cíntia Marques e Mauro Marques
10º ano - Turma B

[voltar]

 

DIDÁXIS, Cooperativa de Ensino
Riba d'Ave


 
Dever ou prazer?
Todos temos como resposta rápida e infundada o prazer. Sem qualquer tipo de argumentação apresentada, falta esta justificada pelo facto da resposta ser aparentemente óbvia, somos guiados pela insensatez e incoerência da idade a escolher o prazer.
No entanto, a vida preveniu-nos com limites, e a espontaneidade não é excepção, também ela tem prazo, e o seu fim coincide com o inicio da razão, quando a ocasião assim o exige! Evitamos a razão, porque é ela que nos leva às verdades mais inconvenientes, evitamo-la ate ao momento em que ela se cruza connosco sem qualquer tipo de preparação prévia e aí somos capazes de responder com base em argumentos, aqueles que sempre soubemos mas nunca citamos, para não lhes darmos a força da voz…
É quando tentamos responder de forma fundada, que nos deparamos com a ironia do facto de estarmos a trabalhar para sermos originais na resposta que damos a uma pergunta, que, afinal, é de resposta única – o dever!
O dever é condição necessária do prazer. Esta é a única teoria possível de ser aceite, se tivermos por base a aplicação a uma realidade justa e imparcial.
O prazer de um indivíduo, está sempre dependente do dever de um outro. Importa termos como base para todas as opções que tomamos, o facto de vivermos em sociedade, e não esquecer nunca que o nosso bem-estar não é exclusivamente da nossa responsabilidade, pelo que, tudo o que fazemos, tem repercussões na nossa vida e reflexões na do próximo.
Vejamos a aplicação do que foi dito, na realidade:
Um determinado indivíduo adora, no verão, passar as suas tardes num parque aquático, onde pode divertir-se com os seus amigos nas diferentes piscinas que tem ao dispor. Esta é uma prática que lhe dá prazer. No entanto, para que tal seja possível, alguém terá de estar a cumprir deveres, como por exemplo, a quantidade de nadadores salvadores que estão presentes e zelam pela segurança do primeiro indivíduo. Estes têm de estar alerta, e embora a tarde para eles seja igualmente quente, não se podem divertir na água. Ao contrário do primeiro, para estes indivíduos a acção não oferece tanto prazer, mas resulta do cumprimento de um dever que está na base, do prazer do primeiro indivíduo.
Esclarecido o facto de, realmente, o dever de uns estar na base do prazer de outros, importa ainda salientar que, no exemplo referido anteriormente, não dissemos que os nadadores salvadores não tinham prazer naquela tarde, mas, que poderiam ter apenas menos. Isto para esclarecer, que a prática de um dever, não tem de ser forçosamente uma actividade que não proporcione prazer e, pelo contrário, os deveres de um indivíduo são, muitas vezes, praticados com o prazer de fazer alguém feliz. Este é a máxima, da vivencia em sociedade.
Assim, o grupo conclui a sua tese defendendo que o tema proposto não oferece duas opções de resposta, como seria de esperar, mas que tanto o prazer como o dever devem ser conjugados, sendo que o prazer de alguém depende do cumprimento de um dever por parte de outra pessoa.

Ana Raquel Faria; Ana Rita Abreu; Cátia Pereira; Cláudia Peixoto.
11ºano - Turma 1


O prazer é uma consequência do dever
O herói do vídeo salvou o rapaz de 20 anos apenas por dever: dever de tentar salvar uma vida e o dever de proteger as filhas de assistir a um atropelamento muito violento.
À primeira vista, poder-se-ia pensar que Wesley (o herói) salvou o jovem apenas por fama (o prazer), ou seja, o salvamento poderia ser encarado apenas como uma forma de ser reconhecido. Mas na verdade, como se pode constatar no vídeo, Wesley apenas fez o salvamento por dever já que não pensou nos méritos que lhe seriam atribuídos por tal acto.
Pensando mais sucintamente e analisando todos os pormenores do vídeo mais detalhadamente, é possível ouvir-se Wesley afirmar que teve pouco tempo para pensar antes de agir, e como pensou no dever (a protecção das filhas e salvamento do jovem), não teve tempo para pensar no prazer que mais tarde esse dever lhe traria.
Portanto, o prazer obtido não foi raciocinado previamente, apenas foi fruto de uma acção “instintiva” e de boa vontade, motivada apenas pelo dever.
Resumindo e concluindo, o prazer é uma consequência do dever.

Ângela Coelho; João Santos; Rodrigo Silva; Tiago Ferreira
11.ºano -Turma 1


Dever ou fazer?
Todas as pessoas devem de agir por dever no sentido em que se cada um fizer as coisas por dever vamos ficar bem com a nossa consciência, ou seja, bem connosco.
Se nós apoiarmos no sentido de agir por prazer só estamos a pensar em nós e não nas outras pessoas. Deste modo agimos por prazer e numa primeira fase vamos sentir felicidade, mas será que depois haverá felicidade?
Está pergunta surge no sentido em que uma boa pessoa depois de agir por prazer sentirá remorsos, porque poderá ter agido mal para com as outras as outras pessoas.
São dois conceitos opostos no sentido em que numa situação agimos apenas pensando em nós, ou seja, sujeito da acção, este caso defini agir por prazer. No agir por dever estamos a pensar nos outros, uma vez que se agimos por dever estamos a cumprir a “lei” e não faltamos ao respeito a ninguém.
O melhor é quando estes dois conceitos se unem no sentido em que quando agimos por dever estamos também a agir por prazer.
Contudo agir por prazer não será sempre mau. Por exemplo, há pessoas que pelo Natal dizem que gostam mais de dar presentes do que receber. Neste caso estamos a agir por prazer, mas é um prazer que não faz mal a ninguém, antes pelo contrário uma vez que dar presentes é uma coisa boa.
Não há uma única forma em que se possa dizer que é melhor do que outra, dizer isso só é possível caso a caso.

João Fernandes; Hugo Monteiro; Saul Fonseca; Óscar Reis
11.ºano – turma 4  


Que nos convém: prazer ou dever?
O nosso grupo apoia a teoria de Kant, em que o mais importante é o dever e não o prazer.
No caso do herói do metro conclui-se que ele agiu por dever e não por prazer, pois ele agiu com o intuito de salvar o homem e evitar que os filhos observassem tamanha violência. Agiu sem pensar nas consequências que teria para si caso acontecesse o pior.
Apesar de ele ter obtido prazer depois de salvar o homem, não foi com o objectivo de obter prazer que ele realizou a acção.
Assim, o nosso grupo concluiu que devíamos agir sempre por dever e não por prazer, mas ao agirmos por dever, podemos obter prazer.

Débora Mendes; Isabel Mendes; Luís Faria; Pedro Martins
11ºano – Turma 1


Prazer ou dever? Um dilema ou maneira de viver.
Numa acção entre o prazer e o dever, o que vale mais? Será que pensaremos na nossa responsabilidade moral enquanto seres humanos? Devemos ser egoístas ou altruístas?
Os seres humanos têm várias dúvidas entre estas questões, pois relaciona a felicidade e a moral de cada um.
De acordo com o vídeo da “CBS News”, Wesley Autrey, um simples homem de 50 anos salva a vida de um adolescente de 20 anos que desmaiou na plataforma do metro de Nova Iorque, caindo na linha férrea. Nesta situação foi testada a questão do prazer e do dever, ignorando a possibilidade de morrer. O senhor de 50 anos salvou-o sem pensar no seu prazer, isto é, agiu de acordo com o dever. Wesley podia ter morrido e as suas duas filhas ficarem sem o pai, porém, preferiu ser altruísta.
Esta ocorrência teve um final feliz, e Wesley provou assim que apesar de seguirmos o dever, também seguimos o prazer, pois ele não ficou com dúvidas e peso moral, chegando a ser considerado um herói.
Concluiu-se assim, que devemos pensar no dever e ser altruístas, não excluindo o prazer, mas não agir de acordo a ele.

Pedro Carneiro; Priscila Oliveira; Raquel Almeida; Rui Oliveira; Susana Almeida
11.ºano –Turma 2


Prazer ou Dever?
Todos nós nos interrogamos sobre o que nos convém: Prazer ou Dever? Como por instinto respondemos que preferimos, sem dúvida, o prazer mas nunca pensamos no facto do prazer se seguir ao dever. A Filosofia baseia-se no pensamento individual e nos ideais pessoais, alongados e justificados por argumentos sólidos formando teorias que integram a ética; sendo esta o ramo da Filosofia que estuda essencialmente as questões morais. Como fundamento da moral a Utilidade ou o Principio da Maior Felicidade, sustenta que as acções podem ser justas ou injustas dependendo essencialmente da resposta à questão inicial: Prazer ou Dever? Em síntese as acções são consideradas justas na medida em que promovem a felicidade e injustas quando não promovem a felicidade individual ou colectiva como visão moral, ficando esta questão pendente.
Por muito agradável que seja o prazer, este por vezes põe os outros numa situação ingrata, já que há situações em que o nosso prazer é a dor e infelicidade dos outros. Como foi referido anteriormente, se nós é dada a opção de escolha entre Prazer ou Dever, a maioria escolherá o Prazer porque simplesmente não exige responsabilidades. Porém, para uma minoria a resposta seria Dever. E porquê? Porque independentemente do que queremos que aconteça a nossa consciência vai certamente escolher essa hipótese e, uma vez que para próprio prazer temos de cumprir deveres, e por vezes esses mesmos, por acréscimo, dar-nos-ão prazer.
Há indivíduos que julgam que o único prazer da vida é o seu próprio e não o de outrem. Não se apercebem que devido a isso existem pessoas que sofrem apenas, porque uns e outros pensam-se superiores e esquecem-se que a felicidade e prazer de uns é a tristeza, dor e sofrimentos de outros.
Prazer ou Dever: serão eles tão divergentes?

Ana Catarina; Ana Filipa; Ana Isabel; Ana Maria; Ana Rita.


Prazer ou Dever
Prazer ou dever? Eis a questão. Embora seja estranho, esta resposta não pode ser global, pois cada pessoa tem a sua personalidade.
As pessoas nascem e são influenciadas na sua infância pelas pessoas que com ela convivem. Durante a infância, um indivíduo vai ser o reflexo dos outros. Mas chega a adolescência e aí as pessoas começam a pensar e a agir por si próprias e é nesta altura que se começa a criar e a surgir a verdadeira personalidade, surge a nossa essência e o nosso verdadeiro subconsciente. Distinguir o bem e o mal, é, nesta altura, algo de importância menor, comparado com virtudes e defeitos como altruísmo/egoísmo, generosidade, imprudência e sobretudo amizade.
Ao referir amizade, não a estou a relacionar com a amizade pelos nossos conhecidos, mas amizade por todos, amizade que nos torna tolerantes e solidários com as questões e atitudes dos outros. E é aqui que entra a questão de prazer ou dever. Para nós, a resposta é apenas esta: o prazer depende e está relacionado com o dever.
Compreensivelmente, a esta resposta é muito confusa. O que queremos dizer é nós podermos obter o prazer de mil e uma formas e, tal como a personalidade, a capacidade de obter prazer varia de pessoa com pessoa. Há quem sinta prazer em ajudar os outros; há quem sinta prazer a dar-se bem com todos e há quem sinta realmente prazer em viver uma vida em função dos outros, tendo como dever ajudar e contribuir para que todos apreciem e desejam: a bondade.
Quem obtiver o prazer através da solidariedade e da bondade, quem obtiver prazer através do dever, será sempre mais recompensado do que quem faz o oposto.

Catarina Barros; Joana Dias; Joana Machado; João Costa; João D. Pereira
10.º ano – turma 1

Prazer ou dever?
É muito difícil concordar com apenas um dos conceitos.
A maior parte das vezes fazemos aquilo que nos convém sem nos preocuparmos com o bem dos outros, optando pelo prazer em vez do dever.
Contudo, é necessário compreender que não podemos optar por apenas um. Devemos praticar o que nos convém e nos dá prazer mas também procurar não prejudicar quem nos rodeia com os nossos actos.
Um grande exemplo disto pode ser observado no acto de solidariedade do “herói do metro”, que arriscou a sua vida para salvar um jovem estudante que, ao desmaiar, caiu para a linha-férrea, quando o metro se aproximava.
Concluímos, assim, que nem Stuart Mill nem Kant estão completamente correctos, completando-se um ao outro com os seus princípios.
Ajudem e tenham prazer no que fazem.

Cláudia Cerqueira; Elisa Magalhães; Maria Fernandes; Teresa Batista



Há pessoas que nascem já com a vontade de ajudar os outros
Como pessoas que somos, devemos fazer aquilo que nos dá prazer e aquilo que é o nosso dever.
Não podemos fazer apenas aquilo que queremos e que nos dá prazer, pois estaríamos a ser egoístas, preocupando-nos apenas connosco e com a nossa felicidade e não querer saber dos outros. Ao praticar estas acções estaríamos a ser como Stuart Mill, que achava que só interessava fazer certas coisas se isso lhe desse prazer. Como, por exemplo, salvar alguém, ele até poderia fazê-lo, na condição de ter benefícios, como ser reconhecido como herói.
Por outro lado, nós deveríamos fazer aquilo que é nosso dever sem esperar algo em troca. Não interessam os benefícios que isso nos traz mas simplesmente a vontade de querer ajudar alguém e essa ajuda que prestámos deverá ser suficiente para nos reconfortar.
Devemos fazer aquilo que está certo e ao mesmo tempo aquilo que nos dá prazer, pois não podemos ser egoístas ao ponto de não ajudarmos alguém só porque isso não nos vai trazer benefícios ou reconhecimentos.
Há pessoas que nascem já com a vontade de ajudar os outros, outras vão desenvolvendo os seus valores e princípios que lhe são transmitidos pela família. Estas pessoas não esperam nada em troca da sua ajuda, fazem-no, porque se sentem bem ao fazê-lo.
Immanuel Kant achava que nós devíamos ajudar os outros, não interessava o propósito da acção, mas apenas a máxima que determinava.

Hugo Veloso; João Lopes; João Batista; João Nogueira Pereira; Sérgio Sampaio
10.ºano– Turma1




O prazer está à frente do dever
Na nossa opinião o prazer está à frente do dever. Nós devemos ajudar os outros por prazer. Ao sabermos que ajudamos o próximo, vamos fazer com que fique mais feliz, é a isso que devemos dar prazer.
O nosso dever como cidadãos é apenas respeitar as pessoas no dia-a-dia. Não temos o dever de ajudar os outros, pois isso deve ser um prazer para nós, ao sabermos que as nossas acções vão resultar na felicidade das pessoas que ajudamos.
Nada é melhor do que sentirmo-nos realizados, e quando as pessoas são boas e têm bom coração não interessa os riscos que corremos, a recompensa dá-nos muito prazer.
Apesar de considerarmos que o prazer está à frente do dever, nós não somos como os utilitaristas, para nós o prazer o prazer é alcançado ao ajudarmos os outros e não com a nossa própria satisfação, nós queremos o prazer mas o prazer para todos.
Como Kant, nós temos a nossa opinião que, devemos ajudar os outros nem que isto custe a nossa própria vida.

José Dias; Maria Oliveira; Rui Filipe Freitas; Rui Jorge Rodrigues


Ser ou não ser? Eis a questão.
Será que temos o dever moral de ser solidários? Será que também temos o direito de receber? Será que só o prazer é importante? Mas afinal o que é o prazer?
O prazer é a consolidação sistemática de vários deveres que nos permite atingir um determinado objectivo que nos satisfaça. Logo, o prazer implica o dever.
Temos o dever moral de ser solidários para com o próximo, uma vez que quando precisamos também esperámos a ajuda do outro.
A solidariedade satisfaz um desejo de outra pessoa e isso também nos faz feliz.
O prazer e o dever estão encadeados constantemente, e por isso uma coisa implica a outra, constantemente.

Joana Lima; Márcia Lemos; Sofia Gomes; Tatiana Tavares.



O que nos convém: prazer ou dever?
Para começar o ano em beleza, um homem no metro de Nova Iorque saltou para a linha do metro, quando este se aproximava, para salvar a vida de um cidadão desconhecido que, após ter desmaiado, caiu na linha e corria risco de vida.
O que motivou esta acção? Uma das fortes razões que o motivou a praticar esta acção foi o facto de as suas filhas estarem lá para assistir àquele momento de pânico. Nesta situação, o homem tentou ausentar as suas filhas de dor por serem demasiado pequenas e imaturas para compreender certas situações e assistir à morte de uma pessoa naquelas circunstâncias poderia ser traumático. Assim, o homem, sabendo ou não, usou o princípio da maior felicidade, ou seja, praticou uma acção que tinha como objectivo a ausência de dor nas suas filhas. A única coisa que desejou foi que as filhas não sofressem.
A sua acção impulsiva tornou-o no herói do metro de Nova Iorque, aquele homem foi salvo! Mas imaginemos que o homem que caiu tinha morrido. Aquele outro homem que tinha saltado foi com a intenção de salvá-lo, por isso seria um herói na mesma, porque a intenção da acção é que conta. Mas analisando melhor a situação, ele teria agido conforme o princípio formal do querer? Não, porque o homem não agiu por vontade abstraindo-se dos fins que poderiam ser realizados por uma tal acção, pois foi o princípio da maior felicidade, foi a ausência de dor nas filhas que o levaram àquele acto impulsivo. Ele centrou-se num fim para tal acção.
Daí concluímos que nesta situação do homem do metro de Nova Iorque só o princípio da maior felicidade está explícito e correcto.

Alexandre Moreira; Bárbara Gouveia; Cátia Fernandes; Eduardo Silva
11.ºano – Turma 2

[voltar]

 

 

ESCOLA SECUNDÁRIA ABEL SALAZAR
Porto

ALGUÉM IRIA ARRISCAR A SUA VIDA SÓ PARA, NO CASO DE SOBREVIVER, TER ALGO EM TROCA?
Existem situações altruístas como observámos na reportagem realizada no metro de Nova Iorque, onde Mr. Wesley, veterano da marinha, acompanhado pelas suas duas filhas pequenas se deparou com uma situação controversa. Um homem de 20 anos caíra nas linhas do metro e desmaiara nesse momento. Sem tempo para pensar, Wesley salta para a linha e coloca-se sobre o jovem inconsciente na tentativa de o salvar, sem pensar nos riscos que corria, naquele espaço mínimo de apenas 60 centímetros de altura. Fica debaixo daquele metro cerca de 20 minutos, ouve as filhas a chorar e consegue dizer-lhes que está bem.
Depois de analisar o sucedido, apoiamos a teoria de Kant, o princípio formal do querer, pois, neste caso, o senhor não se interessa com o propósito da acção, mas apenas na máxima que a determina.
Será que num momento de vida ou de morte temos tempo para pensar em recompensas? Será que o herói salvou a vítima com segundas intenções? Ou será que o fez pelo dever?
Uma das hipóteses que vocês poderão pôr, para que Wesley tenha pensado na maior felicidade para o maior número possível de pessoas, é o facto de ter salvado o jovem com segundas intenções, pois não queria que as filhas vissem um acidente tão trágico. Outra é tê-lo feito para receber uma qualquer recompensa ou pelo desejo de obter fama.
Na nossa opinião, o Mr. Wesley não agiu por nenhum desses motivos. Será que alguém iria arriscar a sua vida só para, no caso de sobreviver, ter algo em troca? Não. Numa altura tão desesperante quanto esta, ninguém pára para pensar em tirar benefícios ou partido próprio ao salvar a vida de alguém pois, ao fazê-lo, a nossa vida também está em jogo.
Podemos também pensar, como já referimos, que o nosso herói pensou nas suas duas filhas porém, ele admitiu que só pensou nelas após o salvamento; portanto, será pouco provável que ele tenha salvado o jovem para as filhas não verem.
Muita gente poderá pensar que o homem mentiu, no entanto, não há provas, logo, tal como aprendemos em filosofia, estaríamos a cometer uma falácia da ignorância: "Ninguém provou que o homem está a dizer a verdade. Logo, está mentir" ou "Ninguém provou que o homem está a mentir. Logo, está a dizer a verdade".
Contudo, em nosso entender, ele age inicialmente por dever, como afirmava Kant, sem segundas intenções, sem avaliar realmente a acção que ia fazer e, posteriormente, quando lhe pedem uma explicação para a acção que é, para todos, inclusive para ele próprio, incompreensível, quase injustificável, ele apresenta uma justificação que não nos parece muito credível, mas que vai de encontro ao princípio da maior felicidade de Stuart Mill.
Por tudo isto, consideramos que, tal como já afirmámos, Mr. Wesley agiu apenas determinado pelo princípio do cumprimento do dever.

Trabalho desenvolvido pelos alunos do 11º B da Escola Secundária Abel Salazar, S. Mamede de Infesta.
Relatores: Francisca Marques, Márcia Cavaleiro, Nelson Santos e Tiago Ribeiro.

[voltar]

 

ESCOLA SECUNDÁRIA ALEXANDRE HERCULANO
Porto

“QUE NOS CONVÉM: PRAZER OU DEVER?” – I
Este trabalho teve como tema “Um gesto de solidariedade” e como objectivo proporcionar uma investigação sobre os fundamentos do valor da solidariedade.
Após termos visionado o vídeo e analisados os textos “ O Princípio da Maior Felicidade” de John Stuart Mill e “O princípio Formal do Querer…” de Immanuel Kant, o grupo de trabalho é da opinião que a teoria que melhor explica a acção descrita é a Ética Kantiana.
A favor desta posição valorizamos a coragem e bravia de Wesley Autery ao arriscar a sua própria vida para salvar Cameron Hollopeter. O protagonista retrata um gesto de solidariedade sendo uma acção com valor moral, dado ter sido praticada sem pensar momentaneamente nas consequências e nos riscos que poderiam ter decorrido da sua realização.
Em conclusão, o que nos convém neste caso é agir sem pensar nos propósitos que queremos atingir, mas agir com o propósito de ajudar.

Ana Isabel, Ana Sofia, Joana Teixeira, Pedro, Rui e Tiago
10.ºano - Turma N

“QUE NOS CONVÉM: PRAZER OU DEVER?” – II
O contexto do trabalho é o acontecimento apresentado no documento vídeo sobre o salvamento de Cameron Holopeter por Wesley Autery no metro de Nova Iorque, em Janeiro de 2007.
Na perspectiva do grupo, a teoria que melhor explica a acção de Wesley Autry é a teoria Deontologista de Kant.
O facto de Wesley Autry se ter lançado na linha do metro para salvar Holopeter que tinha caído na linha, mostra que o primeiro não pensou nas consequências da sua acção, mas focou-se, sim ,no objectivo da sua acção, que era salvar a outra pessoa. Este procedimento é um exemplo de que a vontade ultrapassa todos os constrangimentos exteriores. A vontade de salvar a pessoa caída na linha ultrapassa os próprios constrangimentos individuais. Isto é, a vontade tornou-se no próprio princípio da acção.
Em conclusão, o que nos convém, quando nos colocamos na pele de Wesley Autry é o sentimento de dever ao praticar essa acção.

Catarina, Matheus, Mariana, Vasco e Rafael
10.ºano - Turma N



“QUE NOS CONVÉM: PRAZER OU DEVER?” – III
Para responder a este problema o nosso grupo de trabalho procedeu à leitura e análise das duas teorias apresentadas.
Assim, na perspectiva do grupo, a teoria que melhor explica a acção feita por Wesley Autry é a teoria defendida por Immanuel Kant e a respectiva tese “O princípio formal do querer: não interessa o propósito da acção, mas apenas a máxima que a determina”.
Nós pensamos que esta teoria é a que melhor se adequa à situação descrita porque Wesley fez um acto de solidariedade: fez uma coisa por livre vontade, e não por obrigação. Agiu porque desejou ajudar quem precisava, sem querer obter fama depois do sucedido. Wesley, arriscou a própria vida para salvar outro homem, não pensou nas consequências.
Em conclusão, o que convém a Wesley é agir pensando nos outros, neste caso, pensar nas filhas do homem que caiu nas linhas do metro de Nova Iorque (?) e que não paravam de chorar.

Ana Filipa, Ana Margarida, André, Manuel e Sara
10.ºano - Turma N

“QUE NOS CONVÉM: PRAZER OU DEVER?” – IV
A resposta de Immanuel Kant no texto “ O princípio formal do querer: não interessa o propósito da acção, mas apenas a máxima que a determina”, é na opinião do grupo, o texto mais apropriado para a descrição do vídeo proposto pela professora de Filosofia.
A favor desta posição, encontra-se o facto de que o benfeitor chamado “Wesley Autery”, afirmou no vídeo que a sua motivação para ajudar o homem em apuros, “Cameron Holopeter”, foram as suas filhas que se encontravam no local, chorando pelo pai em desespero.
Em conclusão, podemos afirmar/supor que o que convém a Wesley é agir pelo bem das filhas do homem que salvou, e não pela glória, reconhecimento ou sensação de auto-concretização.

Ana Raquel, Andrea, Bárbara, Diogo Teixeira, Joana Moreira e Sofia
10.ºano - Turma N


“QUE NOS CONVÉM: PRAZER OU DEVER?” – V
Prazer ou Dever? Quem tem razão? O nosso grupo defende que apenas uma destas teorias tem razão. Defendemos que quem tem razão é a teoria de John Stuart Mill (Ética Utilitarista).
Defendemos esta posição porque pensamos que as acções têm valor moral na medida que promovem a felicidade e não têm valor moral quando promovem tristeza. Pensamos, também, que o prazer e a ausência de dor são as únicas coisas desejáveis, ou pelo prazer inerente a elas mesmas, ou como meios para a promoção do prazer e prevenção da dor.
O homem que salvou o jovem de vinte anos, fê-lo porque as suas filhas estavam a olhar e não queria que elas assistissem a um atropelamento, pois elas eram muito pequenas.
Em conclusão, o que nos convém, é prevenir a dor e a promoção do prazer.

Ana Luísa, Adriana, Ana Rita, Andreza, Jaime e Diogo Ribeiro
10ºano - Turma N

[voltar]

 

ESCOLA SECUNDÁRIA ALMEIDA GARRETT
Vila Nova de Gaia

PRAZER OU DEVER? – Debate em torno dos critérios de moralidade dos actos humanos
O confronto entre os dois princípios do problema apresentado está concretizado, não só nos dois textos clássicos dos seus filósofos representativos (Stuart Mill e Kant), mas também num cidadão anónimo – Westley Autrey - que, de forma dramática, se envolveu numa situação em que a opção entre Prazer ou Dever se colocou de forma imperativa.

O que fundamenta o comportamento moral humano?
Ao analisar a conduta de Westley Autrey, a maioria dos alunos desta turma considerou que nela se evidencia a perspectiva Kantiana do princípio formal do querer – a intenção de agir bem – a Boa Vontade. Ao contrário do que seria de esperar, no momento decisivo, a sua acção foi orientada para o Outro. Pondo em risco a sua sobrevivência individual, ao salvar alguém que não conhecia, de morrer numa linha de Metro, Westley Autrey: Hesitou? Ponderou as consequências para si e para a sua família? Não, o que vimos foi o lado altruísta da espécie humana e, embora não possamos generalizar, podemos afirmar que o Homem é um ser racional, com capacidade de agir de acordo com princípios universais.
Considerado um herói do nosso tempo, Westley Autrey evidencia que o confronto entre Stuart Mill e Kant continua actual: afinal, o “princípio da maior felicidade” é bastante mais complexo, não sendo incompatível, na acção humana, com o “princípio formal do querer” - vimos que Westley Autrey estava feliz por salvar da morte certa um outro ser humano, ainda que tendo posto em risco a sua própria vida.

Alunos do 11º ano, turma A – Curso Científico-Humanístico de Artes Visuais da Escola Secundária de Almeida Garrett


[voltar]




ESCOLA SECUNDÁRIA 3EB Dr. Jorge Correia
Tavira

ENTRELAÇAR AS HIPÓTESES DE KANT E MILL
No dia 18 de Dezembro, dia Internacional da Filosofia, fomos confrontados com um vídeo em que estão expostos valores, muito próprios da acção humana. No vídeo, um homem, Wesley Autrey, salvou da morte certa outro homem, Cameron Holopeter. Utilizando o seu corpo, Wesley salvou Cameron que tinha caído na linha do metro devido a um AVC. O nosso primeiro pensamento foi que Wesley praticou uma acção heróica e que dificilmente faríamos o mesmo.
O facto de Wesley Autrey ter tido a possibilidade de escolher salvar ou não Cameron resultou do facto de que Wesley é um ser livre com capacidade de decisão. Isto torna-o heróico perante os nossos atónitos olhos e, por isso, louvamos o seu corajoso acto.
No entanto, após acesa discussão entre os membros do nosso grupo, formulou-se uma pertinente pergunta: Será que Wesley Autrey foi completamente livre no momento da sua decisão? Por um lado, Autrey agiu de acordo com o desejo e a crença e podia ou não salvar Cameron Holopeter, pois ninguém o obrigou, ou seja, a sua vontade não estava constrangida. Mas simultaneamente o seu comportamento foi determinado por forças naturais que operaram sobre os mecanismos do corpo, como por exemplo, as condicionantes físicobiológicas, psicológicas e histórico-culturais. Ainda que a acção de Wesley tenha sido livre de constrangimentos, este nem sempre decidiu em função de razões que ele próprio escolheu e estas razões irão determinar o seu modo de agir.
Depois de reflectirmos sobre o conteúdo do vídeo, estendemos a nossa reflexão para lá do sentido óbvio da acção que vimos realizada. Wesley Autrey abdicou do mundanismo da vida para naqueles rápidos segundos dar prioridade ao dever cívico. E como pequenos aprendizes de filósofo que somos, o espanto estimulou-nos a tentar ver para lá do primeiro sentido desta acção. Como referia Aristóteles: “No início, o espanto recai sobre as dificuldades que se apresentam em primeiro lugar ao espírito; depois, avançando, pouco a pouco, eles estenderão a sua exploração a problemas mais importantes.” A educação de Autrey e o modo como os valores lhe foram incutidos determinaram o seu modo de agir.
A fundamentação desta situação gira em torno de problemas éticos a que os filósofos procuram responder. Problemas que se prendem com a acção humana: Como devemos agir?
Segundo Suart Mill, quanto mais pessoas ficarem felizes melhor é a acção que foi praticada (princípio da felicidade). Deve-se colocar a felicidade geral acima da felicidade individual agindo, por isso, de maneira imparcial.
De acordo com a situação do salvamento de Wesley Autrey encontrámos uma relação entre os princípios defendidos por Mill e entre esta acção. Wesley deixou de lado as suas ambições e desejos sacrificando-se para o bem-estar do próximo. A acção de Autrey foi ousada e valorosa pois despertou alegria e ternura em quem tomou contacto com o seu acto. Segundo Mill, a felicidade e o prazer constituem a finalidade última das acções de um indivíduo. Mas a defesa desta teoria apresenta uma grave lacuna: leva à instrumentalização das pessoas fazendo-as parecer meras marionetas.
E como a Filosofia e a sua consequente interpretação são subjectivas, surgiram as respostas de Immanuel Kant à pergunta Como devemos agir? Consideramos que as respostas deste último são de certa forma mais radicais e intransigentes.
Kant defende que o valor moral das nossas acções depende da intenção com que o agente pratica a acção. As acções estão relacionadas com os deveres universais e absolutos que as tornam certas ou erradas. O dever impõe-se, não sendo justificável fazer uso da mentira. (Agir segundo o Dever.) As normas morais absolutas e incondicionais devem ser respeitadas quaisquer que sejam as suas consequências. Tomando um exemplo que Kant uma vez deu, imaginemos um indivíduo sensato que possui uma grande fortuna que lhe foi confiada por um outro indivíduo. Entretanto, o último morre e aquele que ficou responsável pela quantia avultada de dinheiro tem em si o poder de o usar, ou pode simplesmente optar por entregá-la aos legítimos herdeiros (que nesta situação são esbanjadores). Segundo Kant o Homem a quem coube a responsabilidade de guardar o dinheiro nunca fará uso deste para o seu benefício, pois é simplesmente injusto e impõe-se-lhe o dever de respeitarum compromisso anterior. Porém, os ideais de Kant possuem falhas: em nome do respeito pelo dever aprovam actos cujas consequências são horríveis. Voltámos, após demorada reflexão e ponderação, a encontrar vestígios de semelhanças entre o que foi defendido por Kant e entre a acção de Autrey. Wesley ao salvar Cameron agiu segundo valores absolutos e universais que foram respeitados, independentemente das suas consequências: Solidariedade, Vida e Responsabilidade .
Concluímos, então, que não seria correcto apoiar-nos apenas nas teorias de um destes filósofos. Tanto Kant como Mill defendem hipóteses que quando entrelaçadas reúnem as condições favoráveis para a descrição da situação visionada. Wesley praticou uma boa acção e promoveu a felicidade e o bem-estar da maioria (Cameron, os seus amigos e a sua família, por exemplo). Mas ao mesmo tempo agiu segundo o dever, ou seja, ao ver o jovem Holopeter estendido na linha sentiu imediatamente o dever de arriscar-se para o salvar.
Toda a sociedade que levou a cabo a educação de Wesley encontra-se numa profunda crise de valores. Hoje em dia, o esquecimento daquilo que nos torna humanos levou à criação de uma sociedade planetária inconsciente que assiste dormente à passagem de uma vida efémera. Muitos outros indivíduos foram educados do mesmo modo que Autrey, mas não agiram nem agirão da mesma maneira. Valores que antes eram tidos como definitivos perdem-se e sofrem mutações. É necessário reunir consciência crítica e vontade de modificar o que está errado. Exige-se antes de mais uma renovação das mentalidades que acompanhe devidamente o desabrochar deste novo século.

Andreia Viegas, Julien Kosev, Marta Martins 10ºA1
10.ºano – Turma A1



“NEW YORK HERO”
Metro de Nova Iorque, Janeiro de 2007, Wesley Audrey, talvez apenas mais um transeunte no metro de Nova Iorque, que voltava do trabalho com as duas filhas, depara-se com uma insólita situação: Cameron Holopeter sofre um colapso cardíaco enquanto espera o metro e caiu para a linha. Wesley Audrey, ao assistir a esta situação, e ao ver o comboio a aproximar-se, salta para a linha para tentar ajudar Cameron e, ao aperceber-se da proximidade a que o comboio estava de ambos e de não haver tempo para subir para a plataforma, Wesley rebola com Cameron até ao centro da linha, onde existe uma saliência entre os carris e a linha, e coloca-se aí com Cameron, entre o comboio que passava por cima deles e a linha, protegendo Cameron com o seu próprio corpo, durante vinte longos e angustiantes minutos, enquanto ia confortando as filhas que choravam na plataforma, dizendo que estava tudo bem.
Aos meus olhos, este acontecimento é insólito, visto a nossa sociedade em geral carecer de valores morais, e colocar sempre à frente destes, os valores materiais.
Realmente, Cameron Holopeter teve mesmo muita sorte porque, é raro encontrar alguém com valores morais que o fizessem sentir na obrigação de ajudar Cameron o que, nos coloca uma questão: Porque é que Wesley foi o único que arriscou saltar para a linha, com uma plataforma cheia de gente, característica habitual do metro nova-iorquino? Na minha óptica, a resposta a esta pergunta é o facto de as pessoas estarem simplesmente demasiado embrenhadas na sua vida e na sua rotina para se preocuparem ou não repararem nos outros, o que nos faz com concluir que a nossa sociedade, com o passar dos tempos e o evoluir do conhecimento, se tornou um pouco egoísta, regendo-se por um princípio de felicidade caracterizado por pôr em primeiro lugar a felicidade própria, o que não é um princípio de todo errado.
Certamente partilhamos da opinião que ao ver esta reportagem somos, mesmo não o querendo, obrigados a reflectir sobre os nossos próprios valores, aquilo que damos como certo ou errado, bom ou mau, mas que pode não ter a mesma definição para todas as pessoas, se não, vejamos este cenário: Eu estava na plataforma na mesma altura em que se deu o sucedido e eu não fiz nada porque toda a minha vida me ensinaram que eu tinha era de me preocupar com a minha segurança e a minha felicidade, e os outros que se desenrascassem, mas era posto a pensar: Será que devia ter feito alguma coisa? Pensar apenas na minha felicidade é o princípio correcto a ter? Talvez nunca tenhamos uma resposta definitiva a estas perguntas.
Resumindo todas estas perguntas, chegamos à questão principal deste acontecimento que é provavelmente o motivo, entre outros que levou a Associação de Professores de Filosofia a sugerir o visionamento deste filme como uma proposta de aula, que é, pôr-nos a pensar na questão: Como é que eu devia agir? (entre outras) Podemos abordar esta questão de dois pontos diferentes, se eu saltasse para ajudar e se eu não saltasse para ajudar, as consequências e as causas de ambas as escolha. Se eu saltasse para ajudar, apesar de ser um acto de muita bravura, estaria a arriscar a minha vida em prol da vida de outra pessoa que neste caso, me era completamente estranha? Qual das vidas vale mais? De um ponto de vista um pouco mais matemático, é preferível arriscar duas vidas e salvar as duas ou salvaguardar uma e deixar a outra ao destino da morte? Vejamos agora a questão do segundo ponto: E se eu não saltasse? Imaginem o peso que não teria na consciência ao ver uma vida humana, com o destino da morte traçado, e saber que podia ter feito alguma coisa para mudar o rumo dos acontecimentos mas que, por alguma razão, não fiz. Conseguiria viver com isso? Provavelmente, a menos que tivesse o “coração frio” o suficiente para este acontecimento me passar completamente ao lado, ficaria traumatizado, para o resto da vida, tal como as filhas de Wesley ficariam se vissem o jovem a morrer na linha, e que foi, segundo Wesley, o motivo para este saltar para a linha. Confesso que, numa situação destas, se eu estivesse na pele de Wesley, ou de outro qualquer transeunte do metro, provavelmente, tentaria pensar em todas as maneiras possíveis em que não pusesse a minha vida em risco, mas esta opção é quase nula, o que provavelmente me deixaria bloqueado e me faria assistir a uma morte certa, que poderia ter sido evitada.
Wesley disse na entrevista que não se vê como um herói e eu, ao ver isto, lembrei-me de uma frase que um personagem de um filme disse, que é a seguinte: “Ninguém escolhe ser herói, a situação aparece à nossa frente quando menos esperamos e temos de saber reagir, pois a nossa reacção determina aquilo que verdadeiramente somos”, e é bem verdade, visto que mais ninguém saltou para a linha a não ser Wesley, o que pode ser falível, porque as pessoas ao verem que ele tinha saltado para a linha, então continuaram com as suas vidas mas, se não for este o caso, então será Wesley um herói? O que é um herói? Porque é que Wesley é mais herói que o resto dos transeuntes? Se respondermos a esta questão de um ponto de vista determinista (radical), esta seria explicada pelo facto de Wesley já estar determinado a salvar o jovem e de o resto dos transeuntes ficar a olhar, devido a provavelmente lhe terem sido incutidos valores morais diferentes dos das outras pessoas então, se ele já estava determinado a praticar aquele acto (de um ponto de vista determinista), não há nenhuma bravura nem coragem naquilo que ele fez, porque simplesmente estava predestinado para o fazer, não tinha a noção do perigo nem das consequências, fez porque tinha que o fazer, devido a uma corrente de causas e efeitos que começaram muito antes do seu nascimento. Numa perspectiva libertarista, Wesley tinha a hipótese de escolher entre salvar ou não salvar, mesmo que toda a educação que lhe deram e os valores que lhe incutiram o condicionassem para o salvamento, ele tinha sempre a hipótese da escolha, por piores que fossem as consequências dos seus actos. Numa perspectiva de determinismo moderado, ele saltou para a linha porque estava condicionado pelos seus ensinamentos e valores, mas não confinado, pois tinha sempre a hipótese de escolha.
Comparemos então agora este caso com os casos estudados em aula das térmitas e de Heitor. Com qual dos casos de identifica mais esta história? No meu ponto de vista, este caso encontra-se num ponto intermédio entre a história das térmitas e a de Heitor. Podemos encontrar parecenças com a história de Heitor na medida em que Wesley tinha a hipótese de escolher e, tal como no caso de Heitor, as suas acções foram condicionadas pela sua educação, pela sua cultura e pelo ambiente social em que vivia, mas também podemos encontrar aqui parecenças com a história das térmitas, na medida em que, visto Wesley ter tido fracções de segundo para “ponderar” saltar ou não para a linha, o seu acto foi como que instintivo, pois ele viu uma pessoa caída na linha de comboio e simplesmente saltou para ajudar, sem pensar em consequências, apesar de poder decidir se saltava ou não. Então, se pensarmos em Wesley como modelo humano, o que somos nós? Na mesma situação, somos uma animal e um humano ao mesmo tempo, estranho não é? Pois, então, que acto foi este? Será que Wesley ponderou no que ia fazer, como um humano, ou simplesmente saltou, porque tinha que saltar, como um animal? Talvez nunca saibamos a resposta a estas perguntas.

João Miguel Brás Viegas
10.ºano – Turma A2



ATÉ QUE PONTO SOMOS PRESTÁVEIS E SOLIDÁRIOS?

No passado dia 18 de Novembro, em ocasião do Dia Internacional da Filosofia, deslocámo-nos até à Biblioteca Escolar para ver o vídeo proposto pela Associação de Professores de Filosofia. O tema nele proposto é a Ética, mais concretamente o que deverá guiar a acção humana, se o prazer ou se o dever.
Este vídeo surge como uma oportunidade para todos nós reflectirmos sobre a nossa postura social e sobre como têm sido as nossas actuações face à sociedade a que cada um de nós pertence. Assim, com o herói do Metro nova-iorquino, podemos perceber que um ser humano bem-formado tenta atenuar a dor do seu semelhante, devolvendo-lhe assim o prazer da vida.
Assistindo ao vídeo e recorrendo ao nosso pensamento filosófico, rapidamente nos interrogamos: “Até que ponto é que nós, que nos consideramos humanos, prestáveis e solidários, o somos? Não sentimos alguma culpabilidade por percebermos que, na realidade, não seríamos capazes de o fazer? Desafiaríamos a nossa própria vida, para tentar salvar alguém que não conhecíamos? E atrevíamo-nos sem saber se iríamos ser bem-sucedidos? Como seres destemidos e sensíveis que somos, saltaríamos tão prontamente para a ténue fronteira entre a vida e a morte?”.
Infelizmente percebemos que temos a definição de todos os valores que Wesley pôs em prática (como solidariedade, coragem, dever cívico e ousadia), mas que não os aplicamos com tanta facilidade.
O que motivou os mais diversos media, espalhados por todo o Mundo, a noticiar este acontecimento, desencadeia em nós, dois pensamentos distintos. Será que a notícia tem tanta projecção pelo facto de se salvar uma vida (que foi, de facto, o mais importante) ou para despoletar em nós uma atitude reflexiva sobre a posição que as pessoas presentes no Metro e Wesley tomaram?
Podemos ainda inferir que houve, pelo menos, duas condicionantes na acção de Wesley. Uma delas foi de índole histórico-cultural. Segundo noticia a estação norte-americana CBS, Wesley é um veterano da Marinha. Uma das características que estes profissionais desenvolvem é o espírito de equipa, onde defendem a famosa máxima “Um por todos e todos por um”. Para além disso, valorizam a vida de uma forma diferente, pois já a tiveram mais vezes em risco que o ser humano comum.
O outro condicionamento foi de carácter psicológico. Wesley demonstrou compaixão, porque percebeu que ao salvar Cameron iria evitar o sofrimento do jovem e da sua família e a culpa que iria sentir por não o terfeito. O norte-americano demonstra-nos assim que são os nossos infortúnios comuns que nos tornam mais humanos.
Já dizia Aristóteles: “Se tiver uma pedra na mão, sou livre de ficar com ela ou deitá-la fora. Mas se a atirar para longe, não lhe posso ordenar que volte.” Comparando com esta frase de Aristóteles, a atitude de Wesley encaixa perfeitamente no exemplo dado por este filósofo. Quando o “herói” assiste ao desmaio de Cameron, tem duas hipóteses: ou o salva ou não (o que comparável a situação da pedra na mão, em que temos a hipótese de ficar com ela ou de a atirar).
Interpretando o último período da citação: “Mas se a atirar para longe, não lhe posso ordenar que volte.”, podemos concluir que se Wesley o tenta salvar e os dois morrem já é tarde para pedir que a vida deles volte e perder-se-iam duas vidas. Mas também podemos afirmar que se o nova-iorquino não tomasse uma atitude e Cameron não sobrevivesse, seria impossível recuperar a vida do jovem.
Se procurarmos ler este acontecimento à luz das teorias de Stuart Mill e de Immanuel Kant podemos questionar-nos: “Como devemos agir? Por prazer ou dever?”. O primeiro filósofo defende que cada acção deverá surtir o efeito de felicidade e prazer às pessoas envolvidas. Já Immanuel Kant, crê que o ser humano apenas age moralmente quando, pela sua livre vontade, age de tal modo que a sua máxima se possa converter em lei universal.
Relacionando a tese do alemão com a situação relatada, podemos concluir que o acto de acudir o rapaz é uma acção com verdadeiro valor moral, porque Wesley sentiu o dever de ajudar.
Por outro lado e utilizando os argumentos do filósofo inglês, facilmente percebemos que o facto de ter ajudado Cameron é legitimamente moral, visto que as consequências da sua acção provocaram felicidade às pessoas envolvidas.
Podemos assim concluir que qualquer acção humana pode ser influenciada por diversas razões e que quer prazer quer dever pesam na realização de qualquer acto consciente e voluntário.

Beatriz Tavares e Carlos Teixeira
10º ano – Turma A2

[voltar]



ESCOLA SECUNDÁRIA JÚLIO DANTAS
Lagos


PRAZER OU DEVER?
Na nossa opinião a ética Utilitarista é onde a acção de Wesley se integra. Este salvou o homem, que caiu nos carris do metro de Nova Iorque, devido a um impulso guiado pela presença das suas filhas naquele local. Wesley não queria que as suas filhas tivessem de assistir ao sofrimento, e até a morte, de alguém, podendo ficar traumatizadas para o resto das suas vidas. Assim, agindo de acordo com o princípio da maior felicidade e preocupando-se com as consequências da sua acção, saltou para os carris salvando o homem. O facto de ter salvado aquela vida contribui quer para a sua felicidade e das suas filhas, quer para a do homem que salvou, havendo uma maior felicidade para o maior número possível de pessoas.
Quando regressou a casa e pensou no que tinha feito sentiu-se bem por ter salvo uma vida, logo a sua acção não poderia integrar-se na ética Kantiana, pois esta defende que a acção é um dever e que por isso dela não podem advir sentimentos. Apesar de posteriormente Wesley ter valorizado a vida humana ao dizer “Não existe uma melhor maneira de começar o ano do que a salvar uma vida.”, integrando assim a sua acção na ética Kantiana, na nossa opinião essa valorização não tem tanta importância como o impulso inicial e os motivos que o levaram a agir.
Poderíamos então interrogarmo-nos: “porque é que Wesley não se limitou a pegar nas suas filhas e a se afastar?”, Wesley não fez isso pois assim não teria contribuído para a maior felicidade possível, deixando dessa maneira de agir de acordo com a corrente Utilitarista

Relatores – Adriana Vaz e M.ª Margarida Rosado
10ºano - Turma C


Salvamento num Metro de Nova Iorque
O que aconteceu?
Wesley Autrey estava numa estação de metro na cidade de Nova Iorque com as suas filhas. Uma provável situação normal no seu dia-a-dia, não fosse reparar num homem chamado Cameron Hollopeter com cerca de 20 anos, quem nunca antes tinha visto na vida, a desmaiar à beira da linha do metro. Foi socorrê-lo e ajudou-o a levantar-se, mas Cameron acabou por cair na linha. Wesley, vendo um comboio a aproximar-se, saltou para ir buscar Cameron, mas sem tempo, deitou-se sobre ele no meio da linha e esperou que os vagões passassem. Não houve vítimas mortais, tendo apenas Cameron de ir para o hospital com ferimentos ligeiros.

Quais foram os motivos que levaram Wesley Autrey a salvar Cameron Hollopeter?
Analisou-se o ocorrido a partir de duas perspectivas: a Utilitarista e a Kantiana. O Utilitarismo é baseado no Principio da Maior Felicidade que tem como objectivo provocar a maior felicidade possível no mundo, contribuir para a ausência de dor e sofrimento e fazer o maior número de pessoas felizes da melhor maneira possível. Immanuel Kant, autor da Teoria Kantiana, defende que o que verdadeiramente interessa é a intenção ou o princípio da nossa acção e não as consequências que ela virá a ter posteriormente. Aquilo que se deseja, o fim da acção, não é o factor importante mas sim o facto de ser um dever universal concretizar determinada coisa.
Durante a discussão sobre os possíveis motivos que levaram Wesley a agir de tal maneira, ponderou-se o que foi dito nas entrevistas dadas por ele, posteriores ao salvamento: não querendo que as filhas assistissem a uma tragédia, Wesley agiu rapidamente em socorro de Cameron; afirmou, também, que não havia melhor maneira de começar o ano, mostrando assim, que se sentia satisfeito por ter agido daquela forma. O facto de se sentir satisfeito vai de encontro à Teoria Utilitarista, que tem como princípio a contribuição para a felicidade. Se Wesley pensou que o bem-estar das suas filhas estava ameaçado com a possível tragédia que ali se iria desenrolar, a sua decisão foi tomada por causa delas. Estando a felicidade das suas filhas assegurada, a própria felicidade de Wesley também estaria. Analisando as consequências da sua acção, pode-se concluir que muita gente ficou feliz: Cameron, que foi salvo, sofrendo apenas alguns ferimentos ligeiros, as filhas de Wesley por verem o seu pai em perfeita saúde e não terem assistido a nenhuma morte, os espectadores presentes na altura do acontecimento, os familiares de Cameron por saberem que está em segurança e toda a gente que mais tarde soube do acontecimento através dos meios de comunicação. Com tudo isto, pode-se afirmar que a intenção de Wesley era, no final de contas, provocar um clima de felicidade, sem dor nem sofrimento, onde toda a gente fica a ganhar, incluindo ele próprio, ou seja, a sua acção foi baseada no Utilitarismo.
Analisando outras informações retiradas das entrevistas dadas por Wesley, reparou-se que depois de agir, já no conforto da sua casa, ele reflectiu sobre o sucedido e sentiu-se bem por ter feito o que fez, ponderando sobre a importância de salvar uma vida humana. Isto vai de encontro à teoria de Kant, onde a intenção é o mais importante de tudo. Mas como a acção de Wesley foi impulsionada pelas filhas e não propriamente por ser importante salvar um ser humano, vê-se que há um certo egoísmo por parte dele em relação a Cameron, segundo a perspectiva Kantiana. Tal conclusão levantou algumas questões que, provavelmente, nunca poderão ser respondidas: E se as filhas de Wesley não estivessem lá presentes, agiria ele da mesma forma perante o desmaio de Cameron? Não seria mais fácil para Wesley ter encaminhado as filhas para fora do recinto ao aperceber-se do que, eventualmente, se iria passar, em vez de ter arriscado a sua vida? O que foi mais importante: o que impulsionou o seu acto ou a reflexão sobre este?

10ºano - Turma B


Como justificar a acção heróica de Wesley? Com base no utilitarismo de Stuart Mill ou com base no formalismo kantiano? Poderão ambas justificar a acção?
Wesley Audrey é, actualmente, conhecido como o herói do metro de Nova Iorque, por ter salvado Cameron Holopeter que, ao sentir-se mal, caiu para os carris do metro. Wesley assistiu ao sucedido e, de imediato, saltou para a linha com o objectivo de o socorrer. Com a aproximação de um comboio, apenas teve tempo para se deitar sobre Holopeter, ocupando o espaço dos trilhos que não tem mais do que a altura de 60 cm entre o chão e o comboio. Assim, Wesley não sabia se havia espaço suficiente para o comboio passar sem os atingir, desconhecendo quais as possibilidades reais de ambos sobreviverem.
A actividade que nos foi proposta, tinha como objectivo levar-nos a reflectir sobre se a situação em causa se enquadra numa perspectiva utilitarista da moral, que tem em conta, sobretudo, o conteúdo da acção e o seu resultado, ou, pelo contrário, se enquadra na perspectiva deontológica de Kant, a qual tem em conta os princípios da acção, independentemente dos resultados a que esta conduz.
Após uma análise cuidada da situação acima descrita e das duas teorias em causa, chegámos à conclusão de que a teoria que melhor justifica a acção de Wesley, é a deontológica, pois o valor moral de uma acção depende, em grande medida, da intenção de quem a pratica. Concluímos, assim, que a acção de Wesley é boa, pois existe uma boa intenção, a intenção de agir de acordo com o dever moral de salvar uma vida humana.
Mas terá sido apenas este o motivo que o levou a praticar a acção? Consideramos que não. Para além da boa intenção, Wesley teve, também, em consideração os efeitos e as consequências da sua acção. Ou seja, ele procurou trazer a maior felicidade para todos, promovendo o prazer e a ausência de dor. Assim, um dos motivos que o levaram a salvar Holopeter foi o facto de ter assistido à aflição dos presentes, particularmente a angústia das filhas que presenciaram o acontecimento. Estes factores levaram-no a agir de forma a procurar o bem-estar e a felicidade de todos os envolvidos.
Concluímos a nossa reflexão, acrescentando que o princípio da maior felicidade de Stuart Mill contribui para justificar a acção de Wesley. No entanto, não terá sido o motivo principal que o levou a agir na medida em que ele não poderia saber se conseguiria promover a maior felicidade para todos (a consequência poderia ter sido a morte de ambos), pois é muito improvável que, naquela situação, tivesse tempo para fazer um cálculo das consequências da sua acção.

Relatores: Ana Silva, Beatriz Bandarra, Paulo Costa, Inês Agostinho e Patrícia Soares.

 

O SALVAMENTO PODE SER EXPLICADO PELAS DUAS TEORIAS
Na Escola Secundária Júlio Dantas de Lagos, no dia 19 de Novembro de 2010, no âmbito da disciplina de Filosofia, decorreu um “debate em torno dos critérios de apreciação da moralidade dos actos humanos”, para comemorar o “Dia Da Filosofia” que este ano lectivo foi no dia 18 de Novembro.
A turma D, do 10º ano, após o debate, defende que o salvamento de Cameron Holopeter por Wesley Autrey tanto pode ser explicado a partir da teoria de Kant como de Stuart Mill. Para justificar esta posição, baseamo-nos nos seguintes argumentos:
– Stuart Mill defende que uma acção é moralmente boa quando há a intenção de causar a maior felicidade a um maior número de pessoas possível e quando essa mesma acção provoca a ausência de dor. O vídeo integra-se nesta teoria pois o próprio sujeito da acção (Wesley) referiu que pensou nas filhas durante a acção, querendo privá-las de um trauma ou infelicidade provocada pela visualização de um acto infeliz. Ao mesmo tempo, salvar Cameron traz a maior felicidade ao homem que o salvou;
– Por outro lado, o referido salvamento também pode ser explicado a partir da teoria de Kant visto que Wesley sentiu o dever, a obrigação, de salvar uma pessoa, mesmo desconhecida.
Mas, antes de chegarmos a esta conclusão, o debate teve várias vertentes. Alguns alunos defendiam que, apesar de Wesley ter feito aquela acção, não tinha “o dever de salvar ninguém”ou “ao salvar Wesley estava a dar o exemplo às filhas e, como tal, não era por dever”, mas também defenderam que “tinha sentido a obrigação consigo mesmo para salvar Cameron”; outros alunos referiram que “se Wesley morressse, não iria gerar felicidade a ninguém, aliás só causaria mais sofrimento.”
Apesar destas divergências, conseguimos concluir que a acção foi moralmente boa, porque foi feita por dever e que gerou felicidade para todos.

Relatores: Catarina Gordinho; Ana Letícia Heeren; Ana Luísa Rio; Sascha Ebersbach; Gisele Mollers; Rita Capelo.


[voltar]

 

ESCOLA SECUNDÁRIA DE PINHEL
Pinhel

O que é que nos convém? Fazer ou Dever?
Perante o actual estado de degradação das relações humanas, onde a corrupção, o individualismo, o egoísmo, o prazer imediato e a qualquer custo dominam, somos confrontados todos os dias com situações onde temos de optar por “este” ou “aquele” caminho, tendo por base aquilo que está correcto e/ou aquilo que nos convém.
Porém, apesar deste estado de deterioração ética/moral que caracteriza a sociedade moderna, existem pessoas que todos dias praticam “uma boa acção” e contradizem esta sombria faceta do ser humano. É no seguimento desta corrente que surge a situação escolhida para a celebração do Dia da Filosofia deste ano.
Certo dia, algures no metropolitano de Nova Iorque, o jovem Cameron Holopeter escorrega e cai nas linhas do Metro, mesmo antes de este passar. Sem hesitar, Wesley Autrey atira-se para as respectivas linhas, coloca-se a si e ao jovem entre a “fossa” aí existente, tapando Holopeter com o seu corpo, de maneira a que o Metro percorresse a trajectória por cima deles, a fim de não matar nenhum.
O trabalho proposto pela Associação de Professores de Filosofia obriga-nos a reflectir neste acto, a “vê-lo” sob a perspectiva do Princípio da Maior Felicidade, de Stuart Mill e/ou sob a perspectiva do Princípio Formal do Querer, de Kant.
Após atenta análise dos referentes textos, concluímos que o Princípio que melhor se relaciona com o acontecimento acima relatado é o Princípio Formal do Querer, de Kant, uma vez que pensamos que a atitude de Autrey é justificada pela intenção deste em salvar a vida a Holopeter, independentemente do facto de ambos poderem morrer atropelados pelo Metro.
Em “O Princípio da Maior Felicidade”, Stuart Mill defende que “as acções são justas na medida em que tendem a promover a felicidade”, ou seja, para Stuart Mill, o que importa é o fim da acção, o seu conteúdo, a sua consequência, independentemente dos princípios, da intenção da mesma. Pode concluir-se, portanto, que o Princípio defendido por Stuart Mill é utilitarista, material e se relaciona, consequentemente, com o móbil da acção, com a posteriori. Contrariamente a Stuart Mill, Immanuel Kant defende que “não interessa o propósito da acção, mas apenas a máxima que a determina”- Princípio Formal do Querer. Ou seja, para Kant não interessa o resultado da acção ou o fim visado por ela (que são de ordem empírica), mas apenas o uso da vontade em conformidade com o dever, que se apresenta sob a forma de um imperativo categórico que exprime uma obrigação incondicionada, sem móbil material – “age de tal forma que a máxima da tua vontade possa valer simultaneamente como princípio de uma lei universal” - e, posteriormente - “age de tal forma que trates sempre a humanidade – quer na tua pessoa, quer na de qualquer outro – como um fim em si e nunca como um meio”. Podemos, concluir, pois, que o Princípio defendido por Kant se relaciona com a priori, isto é, com a forma/intenção pela qual a acção é praticada.
Consideramos que o Princípio Formal do Querer é aquele que melhor se relaciona com o acto cometido por Wesley Autrey uma vez que pensamos que este agiu única e exclusivamente com a intenção de salvar a vida de Cameron Holopeter. Pressupomos que a acção por si realizada não foi premeditada, isto é, não percorreu integralmente os quatro momentos que caracterizam a acção humana (concepção, deliberação, decisão e execução), mas sim que foi algo de instintiva, uma vez que Autrey não teve margem de tempo para pensar nos prós e nos contras do seu acto, não podendo, por consequência, ter agido segundo o Princípio de Stuart Mill, visto que não foi a posteriori o seu móbil, devido ao facto da sua vida estar comprometida. O seu móbil foi a priori, pois foi a vontade de quer salvar vida a do outro que o fez agir.
Em suma, apesar de considerarmos o Princípio de Kant como sendo aquele que melhor ilustra este acontecimento, admitimos que existe uma pequena relação com o Princípio de Stuart Mill, uma vez que, realmente, Wesley Autrey acabou por desfrutar da felicidade, da exposição mediática e da postura de herói (posteriori) que o seu acto lhe trouxe, para além de que o fim/objectivo da acção de Autrey foi plenamente alcançado, visto que tal ele como Holopeter sobreviveram.

Adriana Silva, Ana Falcão, André Aguiar, Artur Martins
10.ºano - turma A

 

[voltar]

 

 

Experiência filosófica:
"consiste em provocar ínfimos sobressaltos. Inventar qualquer coisa a fazer, a dizer, a sonhar, que faça experimentar o espanto e o desconforto de uma questão." (Roger-Pol Droit)

AGRADECIMENTOS
Aos professores e professoras:
Ana Alexandrina Martins; Ana Ferreira; Ana Cristina da Silveira Martins; Cília Seixo; Hugo Pote; Isabel Maria Barbosa de Matos; Maria Alberta Fitas; Maria do Céu Monteiro e Maria Luísa Valente; Maria Manuela Galvão.

Aos alunos e alunas:
Alexandre Moreira; Ana Catarina; Ana Filipa; Ana Isabel; Ana Maria;Ana Raquel Faria; Ana Rita Abreu;Andreia Viegas; Adriana, Ana Filipa; Ana Isabel; Ana Letícia Heeren; Ana Luísa; Ana Luísa Rio; Ana Margarida; Ana Rita; Ana Rita; Ana Silva; Ana Sofia; André; Andreza; Ângela Coelho; Bárbara Gouveia; Beatriz Bandarra; Beatriz Lucas; Beatriz Tavares; Carlos Teixeira; Catarina; Catarina Barros; Catarina Gordinho; Cátia Fernandes; Cátia Pereira; Cláudia Cerqueira; Cláudia Peixoto; Cíntia Marques; Débora Mendes; Diogo Ribeiro; Eduardo Silva; Elisa Magalhães; Francisca Marques; Gisele Mollers; Hugo Monteiro; Hugo Veloso; Inês Agostinho; Isabel Mendes; Jaime; Joana Teixeira; João Batista; João Costa; João Fernandes; João Miguel Brás Viegas; João Lopes; Joana Dias; Joana Lima; Joana Machado; João D. Pereira; João Nogueira Pereira; João Santos; José Dias; Julien Kosev; Luís Faria; Márcia Cavaleiro; Márcia Lemos; Mariana; Maria Fernandes; Maria Oliveira; Manuel; Marta Martins; Mauro Marques;
Matheus; Nelson Santos; Óscar Reis; Patrícia Soares; Paulo Costa, Pedro; Pedro Carneiro; Pedro Martins; Priscila Oliveira; Rafael; Raquel Almeida; Rita Capelo; Rodrigo Silva; Rui; Rui Filipe Freitas; Rui Jorge Rodrigues Rui Oliveira; Sara; Sascha Ebersbach; Saul Fonseca; Sérgio Sampaio; Sofia Gomes; Susana Almeida; Tatiana Tavares; Teresa Batista; Tiago; Tiago Ferreira; Tiago Ribeiro; Vasco; e a todos os demais que participando preferiram permanecer incógnitos.