O tema geral deste encontro é “A Filosofia na Era da Globalização” e assim o meu particular será: “A Filosofia na Era da (Primeira) Globalização”.

Para o efeito, procurarei abordar quatro questões:

1ª) Em que ambiente sócio-cultural, melhor, em que civilização, se dá a ruptura que conhecemos aqui por “primeira globalização”?

2ª) Que modo de consciência veio ela perturbar e alterar?

3ª) Que efeitos teve sobre a filosofia tal perturbação?

4ª) Que tem o homem moderno e a filosofia actual a aprender com a resposta às três questões anteriores?

Para ler todo o texto faça download do pdf.

Mas por que razão e em que sentido é esse começo aqui precisamente pensado como o começo do género humano?

Esta a questão que vale a pena comentar.

Naturalmente, devemos fazer a justiça de acreditar que o que se abrange nesta noção não é o Homem ou a Humanidade, de tal modo que a contra-senso se diria que “os homens” surgiram comos gregos ou que os gregos são os “primeiros homens”. Mas talvez que em “género humano” ressoe ainda a noção dinâmica de uma geração dos homens, de tal modo que o que estaria em causa seria a consideração de que os gregos representam uma nova geração de homens, ou que com a Grécia tem lugar uma nova génese da humanidade, mas de tal forma nova, quer dizer, dotada de uma tal singularidade e de uma tão flagrante distinção em relação ao que está “antes” (ou, em geral, em relação ao que está “fora”, isto é, ao βάρβαρος), que se permite legitimamente designar-se a si mesma, tão-simplesmente, como “o género humano”. Se é como dizemos, esta interpretação tem pelo menos um mérito: a de conferir uma inesperada pertinência ao depoimento de Diógenes Laércio.

De facto, é de algum modo na Grécia e só na Grécia que o homem toma perante si mesmo a consciência que ainda hoje o caracteriza: a saber, a consciência de si como um género, isto é, como um conjunto simultaneamente autónomo, homogéneo e dotado de especificidade própria. E, nesta medida, a consciência pela qual o homem acede à sua designação como “o género humano” é já, também ela, especificamente grega.

Nesta acepção, podemos começar a compreender o que queria dizer Diógenes Laércio: antes dos gregos havia homens; mas não havia género humano, pois só na Grécia emerge uma consciência do humano como tal.

ASSOCIAÇÃO DE PROFESSORES DE FILOSOFIA

A Associação de Professores de Filosofia (Apf) é uma associação de professores ligados ao ensino da Filosofia, que se dedica a divulgação e promoção de temas relacionados com a filosofia.

CONHEÇA AS VANTAGENS DOS SÓCIOS APF

Porque a Filosofia interessa a um número cada vez mais alargado de pessoas, podem ser sócios da Apf todos os que se interessarem pela reflexão filosófica e pelo ensino da Filosofia.

PUBLICAÇÕES APF

Constituídas essencialmente pelas comunicações apresentadas em eventos científicos, as publicações da Apf congregam aspetos relevantes do pensamento filosófico português.

RECURSOS FILOSÓFICOS

Aqui poderá encontrar recursos de apoio a reflexão filosófica e ao ensino da Filosofia (Páginas Institucionais e Pessoais; Livros e Artigos; Revistas; Dicionários; e Conceitos Filosóficos).