As formas de sociabilidade totais, que subsistem no quadro da experiência tradicional, têm a sua expressão no mundo da experiência vivida e a sua validade está confinada pelas fronteiras do território comum, dentro das quais podem ser identificadas por todos as marcas de uma mesma história comum. A sua característica fundamental reside no facto de serem reguladas por um tipo tradicional de racionalidade. Trata-se de uma racionalidade de natureza paradoxal, uma vez que, apesar de ser obrigatória, impondo-se a todos de maneira incontestável, é, no entanto, aceite por todos livremente. Pelo facto de o seu fundamento e a sua legitimidade não dependerem das escolhas individuais, de serem implícitos, não pode ser posta em causa por ninguém. Apesar de ser convencional, é considerada por todos como natural e indiscutível.

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É muito comum pensar os dois tipos de racionalidade, a tradicional e a moderna, como exclusivos, a partir de uma concepção historicista, como se a experiência moderna substituísse e ultrapassasse a experiência tradicional. Não é essa a minha maneira de ver. Estas duas modalidades de experiência não são exclusivas, mas coexistem inevitavelmente, relacionando-se entre si de maneira tensional, em todas as épocas e em todas as sociedades, dando aso a múltiplas formas de composição e de competição entre as suas lógicas divergentes. Mesmo que fosse possível generalizar os procedimentos de indagação autónoma e de fragmentação da experiência, restaria pelo menos um mundo em que esses procedimentos não podem ser adoptados, o mundo da linguagem, para o qual apenas podemos contar com fundamentos ditados pela racionalidade tradicional. Por conseguinte, só uma concepção que não tenha em conta e não leve a sério a existência da linguagem como um mundo à parte, distinto do mundo físico, do mundo intersubjectivo e do mundo subjectivo, pode sustentar uma concepção historicista da experiência. Veremos que é esta visão ingénua da experiência, que esquece a existência de um mundo autónomo da linguagem, que está por de trás das posições que hoje advogam a constituição de uma experiência planetária que substituiria as modalidades tradicional e moderna da experiência.

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