Para a filosofia da mente, o pensamento (e entendo aqui por ‘pensamento’ fenómenos de consciência, intencionalidade, identidade pessoal, acção voluntária, etc) é um fenómeno natural. Ora se o mental é uma parte da natureza, o fisicalismo aparece como uma posição incontornável. O fisicalismo em filosofia da mente é, basicamente a tese segundo a qual não pode haver propriedades mentais na ausência de propriedades físicas. Noutras palavras, não existem objectos puramente mentais. Os problemas da filosofia da mente partem assim do estado das ciências naturais do mental e são em parte problemas de filosofia das ciências naturais, nomeadamente da filosofia da psicologia, se bem que o termo psicologia como teoria do mental, da cognição, do comportamento, tenha vantagens em ser usado aqui de forma ecuménica, de modo a abarcar o “mental natural” e o “mental artificial”, tanto que normalmente se fala não em ‘psicologia’ restrita ao seu sentido humano e animal mas em ‘ciências cognitivas’, incluindo a Inteligência Artificial.

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O estado contemporâneo dos problemas da filosofia da mente resulta em grande parte do facto de “a estratégia da objectividade”, a estratégia de abordagem da natureza iniciada com a física no século XVII, ter chegado no nosso tempo à mente/cérebro e portanto ao observador, até aí salvaguardado. Intuitivamente, para haver mundo conhecido ou pensado tem que haver um observador (seja ele o que for fisicamente). Mas quando a estratégia da objectividade chega à fisicalidade do pensamento enquanto parte da natureza – e é isso que se passa com as ciências cognitivas – a salvaguarda à inserção do observador na própria teoria, que é afinal a ilusão da exterioridade do pensamento à espácio-temporalidade natural, deixa de poder ser simplesmente mantida.

São precisamente considerações acerca dos processos internos, espácio-temporais, físicos, subjacentes à nossa vida mental, que estão em causa quando Dennett procura explicitar o peso que conhecimentos consensuais das ciências da mente, como a inexistência de um centro funcional único no cérebro humano e a existência de um processamento paralelo e distribuído da informação nesse cérebro devem ter sobre a teoria da consciência e da identidade pessoal. A consciência, considerada como apanágio e essência da res cogitans cartesiana, pôde ficar “do outro lado” do mundo físico. Mas hoje não pode mais manter essa posição.

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