O combate da cultura contemporânea trava-se, a meu ver, em duas frentes que estão a convergir: o niilismo e a técnica (Ballard é a figura de culto da tecnocultura hoje, como Nietzsche foi a figura de culto do niilismo ontem e Blanchot é ainda a figura do niilismo hoje). O mundo é dominado pelo sexo, pela tecnociência e por niilismos de todas as cores. É sob esse prisma que Baudrillard encara o terrorismo, no seu livro Simulacres et Simulation como a resposta desesperada e tipicamente niilista à invasão da tecnocultura e à desertificação do “real”. A série Matrix ilustra perfeitamente o tema ciberpunk desta aliança: a utopia não se fará contra as máquinas, mas com elas e em ambiente virtual.

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A teologia está em processo há séculos. A escrita literária ri-se do saber (teológico ou outro). O facto é que nem só Dante prefere o poeta ao teólogo. Tal como Kierkegaard, Peirce detesta a teologia das Igrejas que expandiu sobre aterra o Odium theologicum mesmo reconhecendo que essa teologia desempenhou um papel benéfico na história da civilização (C.P. 6.449). As razões são simples – Deus não se revela à razão do homem. Não é tão pouco um objecto de fé (6.439). Existem “temas de importância vital” – e Deus é um deles (6.640) – cuja realidade é “percebida directamente” (6.436). De onde viria uma ideia de Deus se não da experiência directa? “Abramos os olhos – e o coração que é também um órgão de percepção – e vê-lo-emos.”

A sua religião não é subjectiva porque esta experiência não é emocional é um instinto que todos possuem (1.649, 6.496). Não é individual mas social: “Mesmo que comece por uma inspiração seminal individual, só floresce verdadeiramente numa grande Igreja co-extensiva a uma civilização” (6.443). A razão de ser de uma Igreja é dar aos homens uma vida mais ampla que as suas estreitas personalidades, uma vida enraizada na verdade do ser. Para tal deve ter como base e ponto de referência uma experiência pública determinada (5.498). A religião de Peirce não é pessimista. É por isso que não pode ser nem teológica nem subjectiva nem individual: a teologia fez esquecer à Igreja que era a Igreja de uma religião de amor.

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