A  presente  oficina  didáctica  tem  por  tema,  como  sabem:  CONCEPTUALIZAR.  Ela  é suposta articular-se em relações transversais de complementaridade com as restantes oficinas temáticas,  sobre PROBLEMATIZAR  e  sobre  ARGUMENTAR, deste  Encontro.  Com  efeito,  o conjunto  das  oficinas pretende  cobrir  os  três  traços  formais  gerais  que,  segundo  o  actual conceito escolar da  filosofia,  definiriam  a prática  filosófica  e,  por  conseguinte  também,  o  seu ensino, ou os grandes objectivos, em competências «cognitivas» e atitudinais, desse ensino. Não vamos  aqui  questionar  a  pertinência  dessa  tripla  caracterização.  Não  foi  para  isso  que  nos convidaram, não foi a isso que viemos, nós e vós. Digamos apenas no imediato que ela é tudo menos  evidente,  tudo  menos  inocente,  que  é uma imagem  moderna  do  filosofar  que  faz  da filosofia,  ou  da  famosa  «racionalidade»  filosófica  o  modelo  formal  da  ideologia  demo-liberal.

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PRIMEIRA  HIPÓTESE. Ensinar  filosofia. É   a   hipótese   por   excelência   impossível, impraticável.  Tomada em  si  mesma,  como  um  domínio  particular  de  cognição,  a  filosofia  é inensinável.  Porquê?  Porque não  existe.  Ora,  o  que não  existe  não  pode,  como  é  óbvio,  ser ensinado. Já Kant afirmava – e a situação, como sabemos, não se alterou com ele ou depois dele – que para ensinar filosofia seria preciso primeiro que existisse A filosofia como coisa distinta das doutrinas filosóficas. Ora o que há,  o  que sempre  houve  e  haverá,  é  a  pluralidade  dessas doutrinas  ou,  antes,  a  pluralidade  do  que  elas  corporizam:  dos  problemas,  das  teses  e  dos conceitos, sempre específicos (relativos a uma filosofia) introduzidos pelos filósofos. O que há, em suma, é um irredutível pluralismo a-científico como modo de existência da filosofia. Todos nós  conhecemos  isto.  Nenhum  de  nós  ignora  que  não há,  de  facto,  uma  qualquer  «ciência filosófica»,  um  saber  filosófico  em  sentido  próprio  (cognitivo),  que  não  há  «a»  filosofia  na acepção  em  que  há  «a»  matemática,  «a»  física, etc.  Ensinar  «cognitivamente»  filosofia, transmitir como filosofia um pretenso saber, é sempre ensinar uma filosofia, atribuída ou vaga, nada mais. Convém por isso evitar dar aos nossos alunos, mesmo que com todas as reservas e limitações, e como uma simples ideia inicial sujeita a ulterior correcção, a imagem da filosofia como saber, conhecimento, ciência especial. Preferível abordar essa noção inicial, à entrada do 10º ano escolar, em termos negativos, sublinhando o que a filosofia não é (que não é um saber, etc.), e assim começando a preparar os aprendizes para pouco a pouco sentirem a especificidade (não cognitiva) da filosofia. Porque tentar provocar essa «sensibilidade», procurar fazer sentir a diferença do filosófico, é – mas já lá vamos – a nossa única possibilidade ou tarefa pedagógica.

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