A reflexão que aqui pretendemos propor como conjugação da tríade “ética, política e sociedade” parte de uma verificação simples: vivemos em sociedades que têm na sua base a representação, explícita ou implícita, de uma superioridade moral incontestável das suas instituições políticas sobre todas as outras, passadas e contemporâneas; mas vivemos também em sociedades cujos membros cada vez mais se afastam destas mesmas instituições, se demitem de nelas participarem, encontrando nelas uma corrupção moral com que não estão dispostos a pactuar nem transigir.

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Recentemente, os problemas éticos levantados pela invasão e ocupação do Iraque por potências ocidentais – por potências democráticas e liberais – podem ilustrar de um modo privilegiado o problema de que nos propomos partir. Independentemente de todas as variantes de justificações aventadas pelas potências invasoras para a justificação da invasão, é interessante verificar que, no Ocidente, o único argumento tido por evidente e incontestável consistiu no da superioridade das suas instituições políticas sobre as instituições tirânicas e despóticas do Iraque. Diante de uma tal evidência incontestável, a única controvérsia entre os decisores políticos ocidentais foi, no fundo, a de saber se a superioridade moral das suas instituições poderia por si surgir como justificação o suficiente para bombardear, em qualquer altura tacticamente conveniente, um qualquer povo que se considere, em confrontação com elas, e para usar os termos de John Rawls em The Law of Peoples, “indecente” e “fora da lei”. Em tal controvérsia, o chamado neo- conservadorismo americano tem, sem dúvida, o mérito da clareza meridiana. Segundo este, a incontestável superioridade moral das democracias liberais é já sempre uma justificação imediata e suficiente para que um acto de força, uma intervenção militar ou policial unilateral, se liberte de “complicações morais”.

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