No momento em que este papel universal é assumido pelo inglês, os três séculos de filosofias nacionais parecem um parêntesis destinado a fechar-se em breve. Contudo, este retorno a uma língua comum desperta muitíssimas dúvidas e importantes interrogações. A condição de uma abordagem metodológica não ingénua à filosofia passa pelo estudo da palavra singular e da comparação do modo como é traduzida nas outras línguas. Muitos termos da linguagem filosófica estão assim tão estreitamente ligados à língua na qual são elaborados conceptualmente que resultam intraduzíveis, ou traduzíveis apenas através de um deslizamento do significado de que é preciso estar consciente. Resulta daí que não há conceito sem palavra: esta última pertence a uma língua específica que nasceu e se desenvolveu historicamente. A palavra singular não é de todo o signo de um conceito, mas está radicada nas línguas.

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O português filosófico – Gostaria de me deter brevemente sobre o caso do português. Dizia Fernando Pessoa que o português é mais apto aexprimir uma “metafísica das sensações” do que verdadeiras e próprias noções filosóficas. No entanto, Eduardo Lourenço e outros estudiosos puseram em evidência o valor conceptual da noção de saudade; mas um estudo filosófico do modo de sentir português deveria ter em consideração também as características gramaticais da língua, como a presença de um conjuntivo futuro e de um infinitivo pessoal, que faltam em muitas outras línguas, as diferenças estruturais entre ser, estar e ficar, assim como a complexidade sintáctica que faz dele a língua românica mais próxima do latim. Além disso, deveria ser objecto de estudo aquilo em que o português se tornou no Brasil. Aquele que vos fala foi editor de um número monográfico da revista de estética e de estudos culturais intitulada “Ágalma” dedicado à noção de tropicalismo brasileiro. A proposta teórica que emergiu desta investigação não seguiu na direcção do melting pot, do hibridismo ou da mestiçagem, mas ao encontro da individuação dos núcleos conceptuais típicos do tropicalismo brasileiro: estes foram individuados nas noções de cordialidade arcádico-maneirista, de altruísmo de derivação positivista e de suavidade. Ora, a suavidade é algo muito diferente da saudade: enquanto a saudade está ligada, até etimologicamente, à solidão e à recordação nostálgica do passado, a suavidade tem a mesma raiz de persuasão. Não se trata, contudo, de convencer ou de comunicar uma ideia, mas de ter uma experiência de desorientação e de suspensão.

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