O  historiador  olha  de  frente  para  o  passado,  integra-o  em  nexos  explicativos, procurando  conferir  algum  sentido  aos  diferentes  tempos  do  mundo  em  que  vive.  Reflecte sobre  um  real  vivido  que  se  desdobra  constantemente,  uma  vez  que  tudo  o  que  ocorre  se transforma rapidamente − e hoje cada vez mais rapidamente − em ocorrido. Este movimento de vaivém entre o passado e o presente é, aliás, particularmente estimulante num tempo como o actual, poderosamente  marcado  −  na  intensidade  e  na  vertigem  dos  seus  processos  de mudança, no desdobrar inédito, em escala planetária, das suas geografias − por uma relação, ao mesmo tempo conflitual e de complementaridade, entre nostalgia e imaginação.

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Mas para falar da nostalgia, que associamos livremente à recordação, é preciso também falar da desmemória, que aproximamos do esquecimento. É possível, no entanto, − como o fez José Colmeiro num recente livro sobre Memória Histórica e Identidade Cultural na Espanha pós-franquista  −  definir  uma linha  de  separação  entre  esquecimento  e  desmemória.  Se  o esquecimento sugere descuido, acidente, o obscurecer casual de reminiscências do passado, a desmemória  implica  o  apagamento  voluntário  ou  consentido  de  segmentos  do  vivido,  o desconhecimento,  ou  o  desinteresse,  por  áreas  do  passado  consideradas  irrelevantes.  A manifesta obsessão contemporânea pelo passado − pelas comemorações, pelos museus e pelos monumentos,  pelas  antigas  áreas  urbanas,  pelas  tradições  (autênticas  ou  fabricadas),  tanto quanto pelas biografias, pelos filmes e romances de temática histórica, pela ressurreição dos antigos  ícones  −  parece  compensar,  de  alguma  forma,  os  inevitáveis  progressos  do esquecimento. Ao mesmo tempo, porém, este interesse pelo passado acentua o avanço da desmemória.

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