Semelhantes às marés e aos terramotos, os factos políticos, como todos os fenómenos naturais, possuem uma explicação racional. Tal é a origem da ciência política clássica que se inscreve numa epistemologia dominada pela física. Podemo-nos interrogar sobre o valor dos paradigmas mecanicistas nas teorias políticas fundadas sobre uma antropologia naturalista, tais como as de Hobbes ou as de Espinosa, mas convém em primeiro medir lhes o alcance reformador. Embora tenhamos tendência a pensar que as teorias políticas que tiram o seu raciocínio da física sejam forçosamente autoritórias, uma análise dos textos mostra que a mecânica geométrica é, tanto para Hobbes como para Espinosa, o meio de libertar as teorias políticas dos modelos teológicos. O «naturalismo político» tem como contexto polémico o modelo patriarcal que permite a Robert Filmer, ou a Bossuet, de justificar a monarquia absoluta; a sua interpretação tendenciosa da Bíblia vê a origem do princípio do «direito divino» no governo de Moisés.

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A palavra «causa» não deve induzir um qualquer equívoco, nem alimentar a qualquer ilusão, a liberdade política significa a potência de agir, não a liberdade absoluta e incondicionada de um sujeito racional e voluntario. A concepção mecanicista ou determinista entende o homem na sua realidade complexa, neste sentido é mais o idealismo utópico que parece redutor. O idealismo político, no qual poderíamos acreditar como melhor fiador da liberdade, pressupõe uma antropologia dualista e «separatista», que faz do homem «um império dentro de um império». Assim, sendo o homem uma realidade de outra natureza, é sua vontade livre e puramente racional que deve estar na origem das decisões que toma, e estas deveriam ser a única causa de suas acções. Em tal filosofia, as regras políticas não possuem nenhuma relação com as leis da natureza, desde que estas não sejam mais consideradas como decretos divinos mas como leis mecânicas e universais. O idealismo faz do determinismo o antitetico da liberdade. A realidade histórica nunca entra no quadro do idealismo, o qual produz uma moral ou uma filosofia da história, não uma ciência política. Para Hobbes, Montesquieu ou Espinosa, as leis são as leis universais da natureza, e as leis humanas definem-se primeiramente como leis necessárias das sociedades. A definição das regras jurídicas distintas sempre vem em segundo lugar e só se entende em relação com as leis naturais. O objectivo da filosofia política é ajudar os homens a tomar consciência da natureza dos corpos políticos. A antropologia determinista permite a concepção de instituições adaptadas ao seu funcionamento real.

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