Antes de começar, julgo que devo dizer qual é o meu «estatuto»: simples «consumidora» (irregular) e (ex-) produtora de literatura (vulgo, «leitora» e «escritora») – o que, no meu caso, incluiu «tarefas» de «analista» (fiz «crítica literária» uns tempos) e «docente» (dei aulas de português no ensino secundário mais de 30 anos e organizei com outros «livros escolares» com textos literários dentro). E, a não esconder nem perder de vista: sou incapaz de ler «filosofia».

Tentarei explicar porquê: Não desenvolvi uma capacidade de «abstracção» necessária, não aprendi a lidar com «conceitos». Habituei-me a mover-me no «concreto» –de que a «filosofia» para o ser se «alheia».

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NADA (percebo «nada» quando quer dizer «coisa nenhuma», o francês «rien» («res» em latim queria precisamente dizer «coisa»), mas já não percebo o «nada» que em francês é «néant».

O mesmo me acontece com SER: julgo perceber o sentido de «ser» quando em francês significa «estar» ou quando depois dele precisa de um «qualquer coisa» (um nome predicativo do sujeito, diz-se ou dizia-se «em gramática»); deixo de perceber quando o verbo passa a nome com um artigo definido antes: «O ser».

Coisa semelhante se passa com INFINITO – uma «realidade» que me «assusta» e que só consigo vagamente apreender com imagens: os antigos rótulos das garrafas de Água das Pedras, com garrafas que tinham rótulos com garrafas com rótulos com garrafas (mas ainda aqui o infinito tinha um «fim»: quando o espaço deixava de dar para a garrafa seguinte que só se podia «imaginar»…). Processo semelhante ao da «mise en abîme» nos romances, nos filmes, nas peças de teatro (mais simplesmente: a literatura na literatura, o cinema no cinema, o teatro no teatro) mas que, no fundo, nunca chegam ao «abismo», ficam no primeiro passo que se poderia reproduzir, mas não reproduz… Também já tenho tentado chegar ao «infinito» com a imagem dos espelhos paralelos, mas as casas não têm as paredes tão paralelas como «deviam» e o olhar também tem os seus «limites» – que o «infinito» recusa…

Dito de outro modo, nunca aprendi/adquiri essa outra linguagem onde palavras correntes passam a querer dizer «outra coisa», provavelmente também porque aplico a «curiosidade» e o «esforço» a outros tipos de «trabalhos», de «exercícios».

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