A estética da natureza é praticada sobretudo por pensadores alemães e radica na grande tradição da filosofia iluminista e romântica, com a consciência porém de que a natureza não é mais uma realidade primeira, uma vez que sofre a acção continuada de factores que contribuem repetidamente para a sua alteração profunda, e intervêm num processo, pelo menos parcial, de extinção de muitas das suas espécies e ritmos de funcionamento. Para evitar a dificuldade de definir o “natural” num mundo grandemente tecnicizado, outros autores, nomeadamente anglo-saxónicos e americanos, preferem usar o termo de “ambiente” para vincar o envolvimento multiforme da existência humana, em que concorrem formas naturais visíveis, mas também os elementos invisíveis (químicos, atmosféricos…) que os enquadram, e ainda toda a envolvência constituída por elementos culturais e artificiais.

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O termo ‘paisagem’ não é propriamente excluído, mas reconduzido a um estatuto objectivo ou seja, independente do eventual reconhecimento e acto instaurador por parte dos observadores. Porque, argumenta-se, se se pretender entender por paisagem a paisagem natural, há que reconhecer que a crescente intervenção da cultura humana poderia mesmo justificar a existência exclusiva de paisagens culturais. Daí que, na linha da categoria de “médiance” elaborada pelo geógrafo Augustin Berque, a interacção de homem e natureza seja posta como uma polaridade constitutiva e inultrapassável da própria terra. Também a noção de ‘território’, mais consentânea com a perspectiva geográfica e implicando a ideia de ordenamento dos solos e a planificação humana, tantas vezes conduzidos em função de interesses económicos, não se ajusta ao propósito de dar conta de realidades que se encontram sempre aí, preexistindo aos actos subjectivos e também à sucessão das gerações dos habitantes e espectadores. Enquanto modalidade delimitada e concreta da realidade global terra, o lugar resume bem a ideia de uma presença prévia aos indivíduos, de enquadramento vital e enraizamento das comunidades, o seu carácter de natureza fundacional. Se a paisagem pode ser visualmente ‘recortada’ e o território trabalhado, o lugar é a base de vida modelada pelo curso temporal das comunidades autóctones e que apenas subsiste devido à tradição, ou seja, à permanência das formas humanas de vida que dele cuidaram.

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