Se obedecermos à lógica discriminativa “amigo-inimigo”, o inimigo é, nas palavras de Schmitt, «existencialmente algo outro e estrangeiro» . Aqui chegados é difícil não encontrar neste critério do político uma espécie de aval para todo o tipo de barbárie: racismo, xenofobia, genocídio . É também uma porta aberta para todo o tipo de loucura: paranoia, teorias da conspiração.

De um certo ponto de vista, a história parece dar razão a esta perspetiva beligerante. Julgamos saber pelos vestígios arqueológicos que pouco tempo decorrido sobre a sedentarização dos grupos humanos, com a invenção da agricultura e a domesticação dos animais, a história transformou-se num enorme campo de batalha, numa sucessão quase infinita de guerras e de barbárie, dificilmente contidas, até aos nossos dias. Apesar de tudo, contidas. É que há outra história.

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A humanidade não é uma hipótese nem uma hipóstase. Não é uma hipótese no sentido de possibilidade, de ser uma coisa que possa ou não possa existir, ser ou vir a ser. É ser pleno. Está aí em cada um de nós: presente, passado, futuro . Não é uma hipóstase no sentido de ser uma pessoa que reúna em si todos os indivíduos da espécie humana . Não é uma identidade territorial. Não é uma identidade social. Aliás, o engano está em considerá-la como tal, como algo exterior, que tenha de ser incorporado ou como um qualquer território que tenha de vir a ser ocupado ou conquistado. Quando Carl Schmitt escreve que a humanidade não pode fazer guerras pois não tem nenhum inimigo neste planeta  ou Desmond Morris refere que só uma ameaça externa, de outro planeta, poderia originar a força coesiva necessária para o surgimento de uma única supertribo global e pacífica  , estão a laborar no mesmo modelo interpretativo. Mas, quando muito, a humanidade precisa da exterioridade de um espelho  para se revelar única, um pouco à semelhança do que acontece no estádio do espelho de que falava Lacan quando se referia aos primeiros estádios de desenvolvimento da criança .

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