Atendendo aos inúmeros avanços tecnocientíficos, imensas possibilidades se abriram. Não obstante elas se apresentarem como extremamente positivas e possibilitadoras de uma melhoria nas condições de vida dos seres humanos, muitas questões de ordem ética e moral foram e continuarão a ser levantadas. O desenvolvimento das biotecnologias e das ciências da vida permitem novas formas de intervenção. O Homem já não se satisfaz em conhecer, agora tem a possibilidade de intervir. Neste momento, embriões com oito células podem ser submetidos a um diagnóstico de pré-implantação. À primeira vista, esta possibilidade apresenta-se como uma mais-valia para os pais que querem evitar o risco de transmissão de doenças hereditárias (hemofilia, predisposição para desenvolver determinados tipos de cancros). Permite aos progenitores decidir pela viabilidade do feto sem que, mais tarde, seja necessário recorrer a uma interrupção voluntária da gravidez.

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A manipulação do genoma humano abre a porta a imensas possibilidades: aperfeiçoar a espécie e melhorar os indivíduos no que concerne a uma característica: uma doença hereditária (fins terapêuticos) ou qualquer outra característica física ou de personalidade (fins perfecionistas). Esta tentativa de melhorar a espécie humana não é nova, várias foram as ações com o intuito de o fazer: a eliminação dos mais fracos (pense-se no plano dos nazis) e a promoção de casamentos entre os mais fortes bem como a proibição de outros. Qualquer um dos casos parece-nos extremamente questionável. Este tipo de atitude não será uma forma de o Homem (o próprio Homem) se sobrepor à seleção natural, apresenta por Darwin? Não estará o Homem a querer fazer a crivagem entre quem merece viver e quem não tem esse direito? Vitoria Camps, na sua obra “O que há de mal na eugenia” afirma que o problema que se coloca prende-se com a tentativa de controlar o nascimento (que estava no domínio do arbitrário e do casual) tal como já se pode controlar a morte (eutanásia). Para ela, esta questão faz-nos repensar o uso que podemos dar à nossa liberdade e que tipo de sociedade queremos construir, baseada em que pressupostos e com que finalidades.

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